domingo, setembro 13, 2026

Voyager 2: NASA Atualiza Sonda Icônica e Aumenta Sua Longevidade

Há máquinas que simplesmente se recusam a morrer. A Voyager 2 foi lançada em 1977, está atualmente a mais de 20 bilhões de quilômetros da Terra e continua enviando informações científicas. Agora, quase meio século depois, os engenheiros da NASA encontraram mais uma forma de prolongar sua vida operacional.

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NASA encontrou mais alguns watts para a Voyager 2

A Voyager 2 enfrenta um desafio inevitável: está lentamente ficando sem energia. A sonda utiliza um gerador termoelétrico de radioisótopos (RTG), que transforma em eletricidade o calor liberado pelo decaimento do plutônio. Essa tecnologia é extraordinariamente confiável e adequada para missões onde os painéis solares não são uma solução viável.

No entanto, a produção de eletricidade diminui progressivamente. Segundo a NASA, cada uma das sondas Voyager perde aproximadamente 4 watts de potência disponível por ano. Após quase 50 anos no espaço, cada watt se torna crucial. Para entender a gravidade da situação, a Voyager 2 foi lançada com 10 instrumentos científicos, e atualmente, apenas três permanecem operacionais.

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Operação “Big Bang”

A solução encontrada pelos engenheiros do Jet Propulsion Laboratory recebeu o nome apropriado de “Big Bang”. Apesar de algumas notícias descreverem a intervenção como uma simples atualização, na verdade, trata-se de uma reorganização profunda do uso de energia a bordo.

Os engenheiros desligaram simultaneamente equipamentos que consumiam muita energia e substituíram suas funções por alternativas de menor consumo. O desafio era encontrar o equilíbrio adequado. Não basta simplesmente desligar equipamentos; a Voyager 2 precisa permanecer suficientemente quente para que seus sistemas eletrônicos continuem funcionando no ambiente extremamente frio do espaço interestelar. A operação foi um sucesso.

Voyager 2 ganhou pelo menos mais um ano

Sem esta intervenção, a NASA previa precisar desligar mais um instrumento científico antes do final de 2026. A energia agora poupada permitirá manter os três instrumentos científicos restantes em funcionamento por pelo menos mais um ano.

Pode parecer pouco, mas estamos falando de equipamento projetado na década de 1970, que funciona continuamente em um local onde qualquer reparo físico é impossível. Além disso, comunicar com a Voyager 2 se tornou um exercício de paciência. Atualmente, a sonda está a cerca de 143 unidades astronômicas da Terra, ou mais de 21 bilhões de quilômetros.

Um comando enviado da Terra leva cerca de 20 horas para chegar à sonda. Confirmar se uma alteração funcionou pode exigir que os engenheiros aguardem quase 40 horas entre o envio de uma instrução e o recebimento da resposta.

Tecnologia dos anos 70 continua a fazer ciência em 2026

A Voyager 2 foi lançada em 20 de agosto de 1977, pouco antes da Voyager 1. A missão aproveitou um raro alinhamento dos planetas exteriores para visitar Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Até hoje, continua a ser a única sonda que se aproximou de Urano e Netuno.

Em novembro de 2018, a sonda atravessou a heliopausa e entrou no espaço interestelar, tornando-se, após a Voyager 1, o segundo objeto construído pela humanidade a conseguir esse feito. Desde então, os instrumentos ativos têm estudado o ambiente além da influência direta do vento solar.

Voyager 1 será a próxima

A mesma técnica será aplicada à Voyager 1. A NASA confirmou que pretende realizar uma operação semelhante nos próximos meses. A situação é ainda mais delicada, pois a Voyager 1 está mais distante da Terra e também perdeu instrumentos científicos devido à falta de energia.

A Voyager 1 está atualmente a cerca de 171 unidades astronômicas da Terra, sendo o objeto mais distante construído pelo ser humano. Enquanto isso, as duas sondas se aproximam de um marco histórico: em 2027, celebrarão 50 anos no espaço.

O objetivo dos engenheiros é simples: manter pelo menos um instrumento científico operacional pelo maior tempo possível. Quando não houver mais energia suficiente para alimentar os instrumentos e os sistemas essenciais de comunicação, as Voyager continuarão a viajar pelo espaço interestelar, mas em silêncio.

Até lá, a NASA continua a mostrar que, mesmo em uma máquina construída há quase meio século, ainda é possível encontrar alguns watts para fazer mais ciência.

  • Voyager 2 foi lançada em 1977
  • É a segunda sonda humana a entrar no espaço interestelar
  • A operação “Big Bang” ajudou a prolongar sua missão
  • Comunicados levam 20 horas para chegar até a sonda
  • Continuará a enviar dados científicos por mais um ano
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